16 de fevereiro de 2018

Uma questão de afinidade

Sabe aquele momento em que olhamos nos olhos do outro e vemos o quanto não precisamos explicar o que sentimos ou pensamos? Somos aceitos sem questionamentos porque somos o que somos e o outro simplesmente entende isso. Perdemos da mesma forma que ele e nos enchemos de esperança pelos mesmos motivos. Sorrimos juntos. E choramos também. É aquela afinidade que não se explica, sabe? E que não temos com todo mundo.

E na frase "e até quem me vê lendo o jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei", da música Último Romance, da banda Los Hermanos (e que foi ontem para o meu projeto Toda Metade, com vídeo novo às quintas-feiras), vejo bem isso. É uma questão de reconhecer-se no outro.


Afinidade é um sentimento independente, daqueles sem exigências. Ele é por si só. Está sem ter que ser. Nasce num encontro de energias semelhantes. É um encontro feliz. É uma descoberta bonita em que nos vemos no outro. É sutil e suave, sem imposições.

Podemos encontrar afinidade dentro de casa ou até mesmo bem longe da gente. Também podemos não ter nenhuma com quem está ao lado ou por perto. E tudo bem se for assim. Afinidade não se força.

Talvez até seja possível amenizar essa questão em algumas situações em que ela é latente, ainda oculta, mas dá sinais de que pode desabrochar. E isso tem uma relação bem suave com aquela boa vontade sincera que brilha no nosso olhar de benevolência e é direcionado a esse outro. É aquela pontinha de afeto ainda submersa.

Acredito que seria importante pensarmos, se temos o direito e a opção da escolha, que pode não ser uma boa ideia manter uma convivência forçada com quem não temos afinidade alguma. Digo no caso de escolha. Até porque existem casos em que não temos essa escolha.

Isso pode nos fazer um mal que talvez nem possamos detectar de início. Mas é possível que, com o passar o tempo, isso venha a minar as nossas energias. É um desgaste diário. É um desperdício de força.

Pode ser esse o caso de pessoas que aparecem em nossas vidas com desejo de sustentar uma aparente afinidade, mas com o intuito de ficar ao lado para extrair algo que interessa. E, algumas vezes, elas podem nutrir, inclusive, uma certa inveja velada. Quem nunca passou por isso?

Às vezes, pode ser difícil enxergar isso. Às vezes, pode ser dolorosa essa descoberta pela aposta de carinho que fizemos nessas pessoas. Então vamos tentar observar, vamos olhar além, vamos questionar, vamos ter coragem de sentir de verdade.

E compreender, assim, a necessidade de nos afastarmos do que não alimenta a nossa alma. Do que não sintoniza com a nossa energia. Do que não soma com o amor que temos para dar e trocar. 

E as suas afinidades na vida?

Último Romance - https://youtu.be/vd2JbEcu-KE




13 de fevereiro de 2018

Entrega

Eu escuto e canto essa música de Gonzaguinha e penso no significado que ela me traz: a entrega. Sei que cada letra e cada melodia toca cada pessoa de uma forma independentemente da intenção ou da história pessoal do compositor


E essa aí me faz pensar como são tantas e tantas as formas de amar, as formas de se relacionar com o outro, as escolhas feitas, as formas de usar a intensidade, entregar-se de corpo e alma e deixar o corpo falar ao extremo, doar até o sangue. Sangrar. Render-se.

A vida pode ter, sim, a intensidade, a expressão em toda a sua força, potência e doação. Aquelas escolhas daqueles que vão de peito aberto e se jogam. De quem transborda, não se limita, não se intimida com os riscos. E, muitas vezes, até anula o receio que sente.

Sei que cada um tem a sua forma de amar, de agir, de escolher. Cada um tem a intensidade que pode ter e alguns a intensidade que podem suportar. Eu sou intensa da minha forma. Admito que não sei ser todo o tempo assim intensa, intensa ao extremo. Medos, receios, travas, várias limitações também me mostram o caminho a tomar na tentativa de superar a cada um deles. E, às vezes, são coisas ao mesmo tempo para superar. 

É possível? Sim! Super possível. Mas preciso me esperar, me ouvir, entender o que eu posso naquele momento. Até porque eu não sou a mesma em todos os momentos. Mudo, aprendo, volto atrás. E aí posso  tentar subir mais um degrau aos poucos e devagar. Ou mais rápido num outro momento. Mas só eu posso saber!

Já perdi muito tempo com medos bobos. Já fui feliz por me lançar ao que eu queria. Altos e baixos da vida. Coisas tão normais. Perdas e ganhos. Coisas mais normais ainda. Pensei em tantas coisas que ultrapassei nos últimos tempos. Fico orgulhosa de mim. Já outras coisas eu ainda não consigo pensar. E tudo bem também! O importante é caminhar.

Acredito, sim, que podemos buscar uma intensidade na vida. Experimentar, arriscar, propor, desafiar, testar. Mas sem agredir quem somos de verdade e sem aceitar o que não está de acordo com a nossa essência. 

Essa música me faz refletir sobre isso!

E você, já pensou no que quer superar?







8 de fevereiro de 2018

Deixa eu bagunçar você

"Deixa eu bagunçar" você é uma frase da música "Zero", de Liniker e os Caramelows, a escolha de hoje para o "Toda Metade", meu projeto de covers no canal do Youtube. Toda quinta-feira rola um vídeo novo, lembra?

E foi depois de ver uma entrevista concedida por Liniker que tive a ideia de escrever sobre padrões e como eles nos afetam. Existe na nossa sociedade e até mesmo dentro da gente essa corrente que nos arrasta e nos diz que é necessário se encaixar em determinados padrões ou seguir determinadas estéticas. E aí, eu pensei: que tal bagunçar um pouco de tudo isso aí dentro da gente?



Esse negócio de "precisar seguir padrões" geralmente surge lá na nossa infância. Crescemos vendo e ouvindo os adultos - os nossos pais, familiares, professores, amigos dos nossos pais - que diziam e davam exemplo do que deveríamos nos tornar. E, muitas vezes, seguimos esse fluxo. 

E a partir daí, passamos a nos influenciar, às vezes, até de certa forma inconsciente, por conceitos estipulados (não sei por quem!) que ditam o que é feio e bonito, bom e ruim, certo e errado, só para citar alguns. 

Não estou falando sobre conceitos de ética de certo e errado, claro! A ideia é falar de padrões e estética, tudo bem? Porque não se "encaixar" nisso pode virar muitas e muitas vezes dor e medo.

Medo de não ser bom o suficiente, medo de não ser feliz, medo de não ser amado e não amar, medo de sentir-se só, achar-se sem graça, não enxergar a sua beleza, não conseguir ser o que se quer. Essa lista pode ser grande infelizmente.

E isso é duro. Muito. Mas então vamos pensar. Quem determinou ou padrões? Quem disse que eles são corretos? Quem disse que eles servem para todos? Quem disse que são verdades absolutas? Não! Não são! 

Então não vamos ser quem não somos. Não vamos ser tóxicos com a gente. Não vamos nos martirizar porque somos diferentes dos outros. Até porque somos realmente diferentes. Todos nós. Vamos nos olhar e entender quem somos de fato!

Eu sei que, algumas vezes,  não gostamos de alguma coisa na gente ou na nossa imagem e nos sentimos sem forças para mudar. Quem nunca? E aí vem a proposta! Que tal melhorar algo agora? Que tal tentar se gostar e se amar? 

Vieram, então, algumas ideias para dar início a essa "desintoxicação".

Não vamos acentuar o que não gostamos na gente. Sabe quando aquela olhadinha no espelho fica difícil e a gente não curte algo? Aquele detalhe que parece gritante! E os  outros dizem que não enxergam isso e a gente vê, sabe? Tudo bem! Vamos lá! Podemos mudar ou melhorar? Se não estamos felizes com nosso peso (o meu caso no momento), por exemplo, vamos nos comprometer com o que desejamos e buscar um caminho para emagrecer. Ah é difícil! Sim! É mesmo! Mas com força de vontade, vai rolar! Ah não gosto do meu cabelo! Beleza! O que podemos fazer? Um novo corte? Pintar? Vamos ver as dicas nos várioooos blogs das amigas! Ah meu problema é meu nariz! Não posso fazer cirurgia! Vamos aprender, então, uma make maravilhosa para ajudar! Enfim! Não adianta a gente só reclamar e não tentar fazer algo.

Não vamos nos desvalorizar. Temos nossos pontos fortes! Uns têm habilidades manuais (eu sou uma negação!), outros preferem tecnologia, outros gostam de planejar e de detalhes, outros gostam de matemática, geografia ou filosofia, outros sabem cozinhar ou fazer uma maquiagem linda (ihh não sei!). Certamente temos habilidades! Mais de uma! E se não sabemos, basta prestar atenção no que os outros falam sobre nós e sobre as nossas qualidades. Isso ajuda! E vamos investir nisso!

Não vamos nos limitar. Vamos nos desafiar. Se não conseguimos fazer algo sozinhos, vamos tentar uma vez que seja. Se não conseguimos escolher um caminho, vamos nos arriscar e nos impor na escolha. Se não tivermos coragem para fazer algo, vamos nos jogar! Não vai doer. E se doer, vai passar. Tudo passa!

E não vamos ter medo de ser diferentes! Não queremos casamento, tudo bem! Não queremos filhos, tudo bem! Não queremos uma faculdade, tudo bem! Queremos só um banquinho e violão para tocar, tudo bem também! rs A vida é nossa e as escolhas, as alegrias e os arrependimentos são nossos! O bom é sempre tentar o que o nosso coração pede!

O que pede o seu coração ultimamente?








5 de fevereiro de 2018

Como você reage?

Estive pensando em como eu era reativa e reagia instantaneamente em algumas situações e, de uns tempos pra cá, isso mudou. Perdi esse impulso de me expressar, discutir e colocar em qualquer situação o que eu pensava, que me parecia ser uma coisa quase incontrolável. Eu via, ouvia ou lia algo que estava totalmente em desacordo com a minha opinião e, muitas vezes, queria dizer o que eu achava. Que ego danado esse, meu Deus!

É. É isso mesmo. O meu ego era quem falava logo. Provavelmente dizendo algo assim: "como essa verdade, que não era a minha, pode ser verdade?". Hoje eu vejo isso claramente e sei que esse meu impulso era controlado pelo meu ego. E percebi isso há um tempo quando fiquei exausta após uma discussão, quase um "embate", com um amigo sobre o destino. Veja só. Sobre o destino. É muito louco pensar que eu tenha que discutir exaustivamente com outra pessoa sobre o que eu penso sobre o meu destino, sobre o que faz sentido para mim e não faz para ela. Era só dizer que estava tudo bem. E que cada um, então, seguisse o seu destino da forma como desejava. Pronto. 

Há um bom tempo consegui enxergar isso, mas antes eu queria dizer o que eu pensava e queria que o outro concordasse, sabe? A sensação era de que eu precisava contar a minha verdade para ajudar o outro. Mas, na hora, minha consciência parecia não entender que o outro era diferente, que ele tinha a verdade dele e que aquilo era uma escolha pessoal. Ficava com uma sensação de que o outro poderia sofrer com aquela verdade. Mas quem disse que isso aconteceria de verdade?

E depois desse dia em que nenhum dos dois venceu e cada um continuou com as suas teorias firmes (cada um estava convicto de suas ideias e crenças e as coisas eram tão antagônicas que não havia como concordar com esse ou aquele argumento), fiquei pensando nisso e não achava um motivo forte para me lançar numa nova empreitada de combate como essa.

Foi aí que a minha chave virou. Resolvi fazer testes com o meu ego. Resolvi experimentar apenas ouvir, ler ou ver a opinião do outro muito contrária à minha e não reagir. No início, exercitei o autocontrole. A sensação é de que o peito quase sufoca, como se as palavras quisessem jorrar de mim. E aí eu cantarolava algo baixinho (música sempre me ajuda em qualquer situação) e pronto. Ufa! E ficava tudo bem, nada mudava e, então, vi que aquilo era super viável e muito necessário. Veja só isso. Como o ego é algo tão imperativo, né? 

Bom, eu percebi com isso que não adiantava impor minha opinião ao outro porque isso não fazia diferença para mim ou para o outro. Não estou aqui dizendo que os debates ou as trocas de ideias não são bons. São super ricos, importantes e válidos. Não só para o aprendizado, para se ouvir, para pensar nos seus argumentos, para ouvir teorias diferentes e pensar sobre elas, para compreender como pensa o outro, para contestar uma mentira, para revelar uma verdade de um fato, para defender outro alguém ou a si mesmo ou apenas para filosofar. São tantas as possibilidades e tantas as coisas positivas num debate! Mas estou falando da forma como se debate, da forma como se discute, entende? Mesmo que a intenção seja boa.

Estou falando aqui do desejo do ego em superar o outro, em persuadir o outro. Falo sobre aquela intenção da discussão comandada pelo ego. Falo sobre estar fechado em crenças e apenas se ouvir. Falo sobre aquele pensamento em nunca ceder que já surge antes mesmo de começar a falar sobre o assunto. Acredito que muitas pessoas entendam isso.

Eu gosto de debater, de discorrer sobre assuntos diversos, de filosofar, viver, sabe? O que eu descobri é que, no fundo, não gosto de discutir. E descobri isso porque numa discussão desequilibrada uma energia negativa, uma energia pesada passa por dentro de mim antes de sair de mim com as palavras que vou usar para discutir. Essa energia, então, já mexe com o meu corpo, me desestabiliza, mina as boas energias. E depois essa energia ainda é lançava em direção ao outro. Não. Definitivamente não gosto desse tipo de discussão.

As palavras têm energia, eu acredito. E percebi que esse tipo de coisa me deixa exausta. E que ter consciência e ciência do que eu penso, saber e refletir sobre o que acredito e no que me faz feliz são coisas que podem realmente fazer uma grande diferença para mim. 

Há algum tempo eu falo e busco as reações mais reativas comigo mesma para saber quem eu sou, o que quero, quando quero, o motivo disso e para onde vou. Isso me impulsiona. Essas certezas também me deixam mais relaxada e mais revigorada e são muito mais importantes do que desperdiçar minha energia. E a minha vida fica infinitamente melhor assim. Leve. Em paz.

E por falar em coisas imperativas, deixo aqui essa música da Marisa Monte, uma composição feita no modo imperativo, a última  do meu projeto "Toda Metade", que faço todas as quintas-feiras no meu canal do Youtube. Seria lindo se pudessem passar sempre por lá e acompanhar! 


E você já pensou em como reage em algumas situações?












30 de janeiro de 2018

O que fazer com a ansiedade?

Um amigo me mostrou ontem o quanto a minha ansiedade, às vezes, comanda as minhas ações e me faz esquecer de viver o momento: "Lu, você subiu nesse banco e, em vez de caminhar por ele, sentir a relação dele com seu corpo a cada passo, já está lá na frente pensando o que aconteceria se caísse dele. Com isso, você se trava, não caminha direito em cima do banco e ainda sustenta um medo absurdo de cair de uma altura tão pequena. E se cair, tudo bem! Sobe de novo".

Pronto. A respiração que estava quase suspensa pelo medo de me desequilibrar ali em cima se soltou do peito. Ufa! Nossa! Que verdade isso! No momento, eu não estava pensando na proposta que ele havia me feito na nossa aula de consciência corporal. Era só subir, caminhar no banco e sentir o meu corpo ali. E eu já estava lá na frente pensando nas consequências sem antes vivenciar o que havia para vivenciar. Na verdade, eu não estava ali! 

É muito doido pensar que somos muito assim algumas vezes. Eu, pelo menos, sou. Venho trabalhando minha ansiedade de viver lá na frente, que é fruto desse meu jeito tão aquariano de ser e dessa minha personalidade inquieta. Venho buscando respirar antes de agir ou reagir. Não tem sido fácil, admito. Minha mente vai e voa muito mais rápido do que as palavras que quero dizer, do que o sentimento que chega, do que o planejamento que eu tenho, do projeto que vou iniciar. E para deixar tudo ainda mais agitado, eu ainda vou prevendo ali na minha mente as possibilidades boas e ruins que podem acontecer. 

Mas quem disse que é isso que vai acontecer? E quem disse que eu tenho bola de cristal? E que disse que sou a rainha das previsões? Esse foi o papo que tive comigo mesma antes de dormir. Na verdade, precisei ser um pouco firme comigo mesma e dizer para o meu ego que ele não é o dono da verdade e que viver pode ser mais simples e menos rigoroso. E muito mais delicioso. Pensei então que vou, de fato, usar os exercícios que aprendi e que podem me ajudar nessas minhas horas de ansiedade. Quem sabe não servem para você também!?

1) Meus 10 segundos por 3 vezes - quando o meu pensamento não está no momento presente, inspiro profundamente por cinco segundos e expiro por cinco segundos por três vezes. Isso me leva a um relaxamento tão grande que o meu corpo parece voltar do futuro imediatamente. Esqueço disso no dia a dia, às vezes, mas vou me exercitar!

2) Minha escuta do corpo - com a ansiedade, o corpo parece ter por dentro aquele crepitar de uma chama de fogo, sabe? É difícil explicar a sensação, mas consegue imaginar  gravetos quando são jogados numa fogueira? É isso! Esses pequenos ruídos produzidos pelo corpo precisam ser ouvidos. E quando passo a ouvir a cada um deles e começo a perceber de quais partes do meu corpo eles surgem, as coisas vão se acalmando e vão silenciando. Já fiz isso algumas vezes e deu certo!

3) Minha boca muda - as palavras, às vezes, correm para tentar acompanhar os pensamentos. E elas vão surgindo como uma queda d'água. Opa! É aí o momento de fechar os lábios e sentir que eles estão encostados um no outro. Pausar, respirar, pausar. Ouvir o que sugere minha mente e escolher as palavras. Falar pausadamente, dizer cada palavra. Fazer isso me deixa numa sensação de câmera lenta, sabe? E isso me deixa tão leve. É uma delícia! rs

Em resumo, como disse o meu amigo, eu preciso me esperar, me ouvir, me deixar levar pelo momento. É como dizer pra mim mesma: Aqui e agora, só falta você! ;)

E para musicar todo esse pensamento, uma música da Rita Lee que eu adoro! Essa também foi para o meu projeto "Toda Metade" no meu canal do Youtube. Quem gostar e quiser se inscrever, será maravilhoso! 

Que possamos nos ouvir sempre!




25 de janeiro de 2018

Trevo - a nossa sorte

Eu sei. Hoje você busca o leve da vida pra me levar. E eu até sinto isso muito todo o tempo. Mas nem sempre foi assim, lembra? Por isso, decidi falar sobre isso e escolhi essa música para o meu projeto "Toda Metade" desta quinta-feira no canal do Youtube. 

Trevo (Tu) - Anavitória 



Eu não lembro ao certo quando nos vimos pela primeira vez. Talvez quando ainda éramos bem pequenas e chegamos juntas bem perto daquele espelho. Provavelmente nos achamos esquisitas olhando assim uma para a outra. Tenho poucas lembranças da infância. Foram tantas mudanças. Você deve lembrar da primeira. Vi lágrimas nos seus olhos de longe. Você não queria me encarar e chorou escondida. Parecia que não iríamos mais nos ver.

Mas nem durou tanto tempo assim, nem houve essa distância. Logo nos encontramos de novo. Andamos juntas de mãos dadas. Me emocionei. Fingi que nada tinha acontecido, como ainda faço poucas vezes hoje para espantar desconfortos da emoção. Você também até queria falar, mas só me observava. "Tudo bem, vai passar", você sussurrou baixinho. E ainda éramos crianças!

E a vida andou. Crescemos juntas na correria de descobertas, melodias e esportes. Você sempre jogou bem. E eu era a capitã das equipes. Tinha orgulho de você e você de mim. E quando eu tocava violão e cantava? Toda orgulhosa, você ficava. Eu me achava linda ali. E você concordava. "Você quando canta e toca parece se transformar em luz". Repetia o que dizia aquele nosso amigo: que eu brilhava com aquele som todo misturado. 

Mas eu envergonhei, duvidei, guardei a música por anos. E acho que depois disso um pouco daquela alegria que você via em mim também foi para o brejo. Fizemos tantos planos e nem imaginávamos onde poderíamos chegar. As escolhas foram boas, vai! Bem boas! Nos tornamos fortes, guerreiras, mas duras, né! Passamos por coisas sem sentir o sabor, sem degustar, sem relaxar.

É.. engolimos alguns sapos por um tempo, não soltamos a bruxa dos desejos por muitos momentos. E o estômago até hoje embrulha em casos que só nós sabemos. Mas o melhor de tudo é que tomamos a decisão de nos libertar! E experimentar, e errar, e repetir, e consentir, e sentir., e ser feliz Sentir de uma forma que antes ficava presa em cada uma de nós.

Tudo bem. As coisas ainda precisam caminhar. Mas mais do que os primeiros passos já foram dados. Eu e você e você e eu. Sorte minha, sorte nossa. E hoje eu vejo que aquela menina esquisita do espelho ainda resiste, às vezes, aqui dentro. Mas agora já era. Eu vivo cheia de coragem para ir para o mundo e para sentir tudo.

Ahh quem puder entrar aí para sorrir e cantar, aqui vai o link mais uma vez!! 

Quem se animar, pode se inscrever no canal para acompanhar o projeto ;)

Trevo (Tu) - Anavitória - https://youtu.be/LX5D0hZCqCI

22 de janeiro de 2018

Como lidar com o não?

Todo mundo já recebeu um "não" na vida. Aliás essa é uma palavra que ouvimos desde a infância e faz parte da nossa educação, do nosso aprendizado com o limite, com o medo, com as escolhas. Mas é uma palavrinha que pode provocar em nós e no outro reações e sensações diferentes. Você já pensou em como lida com isso? Já pensou como e o quanto o "não" interfere na sua vida?

Sabe que essa música me faz pensar na reação que ela teve ao receber um "não" 



Algumas pessoas sabem dizer "não" e outras não. Também existe quem o receba bem e segue a vida e ainda aquele que não se conforma e até imagina que o "não" pode ter outros significados. Acho que, às vezes, até pode. Mas, na maioria dos casos, não.

Sabe eu acho que o "não", no fundo, quer dizer simplesmente não. É engraçado pensar que, em algumas situações, nos protegemos com ele sem pensar. Já usamos o "não" por medo mesmo. Nem pensamos, nem nos permitimos avaliar as possibilidades. Se algo parece absurdo, ou difícil, ou quase impossível, ou até tão tão maravilhoso, que achamos que não daremos conta, já vem o nosso pânico rs tudo bem, eu sei bem como é isso e meu impulso me pegou assim por várias vezes. Quem nunca?

E tem aquele momento de receber o "não" do outro. É complicado, eu sei. Mas nem sempre é uma questão de quem recebe. Acredito que isso é uma questão muito maior para quem tem que decidir pelo "não". Não acho que seja sempre uma rejeição em si. É mais uma decisão, uma opinião, uma escolha. É duro, eu sei. Mas um "não" muitas vezes nos fortalece!

E dizer o "não"? Às vezes é tão difícil! Pelas nossas crenças enraizadas, pelo medo de se expressar e não ser compreendido, pelo receio da reação do outro e do que ele vai pensar. Mas esse "não" pode ser válido para reeducar, para motivar, para se libertar! São tantas as possibilidades!

Existem pessoas que se sentem culpadas por dizer o "não". Já me senti muitas vezes assim. Olhar com carinho para o outro, para a expectativa do outro, pode fazer isso com a gente. Mas acredito que, em determinados casos, o "não" pode ser uma forma gentil de estimular o outro a seguir seu caminho, a dar uma reviravolta na vida, a ajuda-lo a se olhar e confiar em suas potências.

Acredito muito na gentileza e, por isso, tento sempre buscar uma forma cuidadosa de dizer o "não". Claro que existem casos extremos que merecem um "não" forte, com ênfase, mas nem pensei em casos assim.

Pensei na dificuldade em si de se dizer isso, sabe? Porque dizer um "não" pode ser aquele momento de atender e entender quem você é, quais as suas necessidades, os seus desejos, as suas expectativas. E o quanto esses momentos são importantes para você e para o seu bem-estar. Estar em paz consigo, pensar o quanto consegue ser livre para ser apenas você, apostar em você e no que quer de verdade pode ajudar na hora de dizer essa palavrinha. É pensar que isso não significa egoísmo. Que isso significa apenas a sua escolha.

Ahh e se você disse o "não" e mudou de ideia, tudo bem! Não tem problema algum. Tudo bem mesmo mudar de opinião ou olhar o momento de outra forma. E aí é aquele momento de entender que você pode errar para, de uma forma livre, voltar atrás e dizer sim. Explicar de verdade o que provocou o seu equívoco. A verdade é sempre a nossa melhor amiga. 

Uma das coisas que acho mais importantes nessa história do "não" é não dizer "não" para você mesmo sem nem ao menos tentar. É tão bom cuidar amorosamente e com muito carinho da gente, do que a nossa alma pede, do que faz os nossos olhos brilharem! É tão bom fazer com que o nosso corpo e a nossa mente estejam em sintonia com o que realmente somos e desejamos. 

Tento exercitar diariamente o meu "não" e o meu "sim" primeiramente e de forma gentil comigo para que eu possa ser melhor com o outro. ;)

E você? Como lida com o "não"?



Uma questão de afinidade

Sabe aquele momento em que olhamos nos olhos do outro e vemos o quanto não precisamos explicar o que sentimos ou pensamos? Somos aceitos se...