20 de abril de 2018

Estar só não é solidão

Nascemos sozinhos, sem nada, sem rabiscos, sem linhas, páginas em branco. Aos poucos, a cada ano, vamos escrevendo a nossa história. Com nossas ações, com o que recebemos, com o que percebemos, até com o que não queremos. Mas, se observarmos, sempre teremos, de certa forma, uma interação com o outro. Ainda que esse outro seja a nossa consciência. Nascemos para nos comunicar, para interagir, para somar, para dividir. E experimentar. Isso sem falar dos infinitos sentimentos que levamos no peito e que tanto nos fazem humanos.

Sim, humanos. Seres que são duais, como já falamos em outra ocasião. Seres em constante evolução. Pelo menos é o que se deseja. Vivemos em comunidade, somos sempre relacionados a algo ou a alguém, apesar de que, no fundo, nos reconhecemos sozinhos na formação dos nossos pensamentos, dos nossos desejos, dos nossos planos. Tudo parte de nós mesmos para nós mesmos, sabe?

Sozinhos como nascemos. Sozinhos como indivíduos únicos e incomparáveis. Porque não podemos nos comparar a ninguém por mais parecidos que sejamos. Mas, às vezes, essa noção de saber que somos sozinhos nos faz acreditar que somos solitários. E essa solidão nos torna até invisíveis numa multidão se deixarmos que ela se apodere de nós. Ficamos tão desconectados com o mundo que não vemos, não ouvimos, não tocamos, nada nos atravessa.

E é nesse momento que devemos parar e observar como anda o nosso interior. É importante compreender se essa solidão faz com que se forme um vazio que quer nos engolir. Se essa solidão quer nos tirar os sentidos e as sensações. 

Reconhecer-se sozinho nem sempre é estar na solidão. Solidão é abandono de si, do outro, do corpo, da mente sã. Solidão é entregar-se ao nada, ao vácuo, ao oco, ao não-expressivo. E aí vive o perigo. É o que pode nos aproximar da depressão. E nem sempre temos a noção de que estamos nos aproximando dela.

Depressão não é brincadeira, não é frescura, não é fraqueza, não é bobeira. Depressão é um caso muito sério que nos afeta de forma profunda e precisamos de toda ajuda do mundo para sair dela. Ao primeiro sinal, vamos procurar auxílio, uma mão estendida, um abraço apertado e, principalmente, um apoio especializado. Depressão é uma doença que precisa ser cuidada como todas as outras. 

Que possamos identificar os sinais e nos cuidar muito bem e com todo amor que merecemos na vida.





14 de abril de 2018

Nada de mágoas

Cada um tem uma memória e cada memória guarda o que pode. Admito que a minha não é lá grandes coisas. Esqueço muitas coisas. Mesmo. Mas acredito que, em geral, nós guardamos boas lembranças e sentimos até gostos, cheiros, contatos, sorrisos e tudo o que elas comportam e levam e trazem para nós quando acionamos a mente. É tão bom quando podemos lembrar daquele abraço apertado, daquela surpresa emocionante, daquele primeiro encontro, daquela primeira vez. 

A questão é que não guardamos na memória apenas coisas boas. Também guardamos mágoas e remorsos. Isso sem falar do lixo mental que, muitas vezes, interfere até na nossa criatividade porque são aqueles pensamentos repetitivos de baixa estima, de covardia, de acomodação. Muito provavelmente conhecemos esse lixo que deixamos que fique armazenado num cantinho qualquer. São aquelas frases que falamos para nós mesmos para nos desencorajar. Se pensarmos em uma ou duas frases, a nossa memória vai saber do que estamos falando.

Esse lixo, de fato, não é saudável. Mas talvez o que nos faça mais mal de verdade são as mágoas e os remorsos. Esses nos corroem por dentro. Habitam os nossos pensamentos e insistem em nos massacrar constantemente. Massacrar mesmo. Às vezes, eles até tentam nos convencer que o nosso motivo para guarda-los é coerente e tentam nos dizer que não há como mudar isso. Que mágoas e remorsos continuam para sempre e que teremos que conviver com essa dor por anos e anos.

Isso não é verdade. E se temos esses pensamentos de tentativa de convencimento para guardar mágoas e remorsos é porque a nossa consciência já está nos apontando que o melhor é o caminho contrário, é refazer a rota, remontar a nossa proposta de carinho com os nossos sentimentos, com a gente, sabe? A nossa consciência, ao detectar que estamos avaliando o nosso erro e começando a reconhecê-lo, quer nos dizer que temos que nos recuperar, nos refazer, reconhecer e ceder para o caminho que se abre.

E sabemos que é o caminho do perdão, do alívio, do deixar ir embora, do aceitar que nós não somos perfeitos e o outro também não é. Precisamos admitir que não é fácil. Não é mesmo. Não será nunca. Mas vamos parar para pensar. Do que adianta guardar mágoas antigas e ressentimentos  que já nem fazem tanto sentido? Apenas para que possamos ser vistos como durões fortes e que não voltam atrás? Apenas para que o nosso ego continue inflado e cheio de si? 

Vamos nos desfazer de todo tipo de lixo mental e de agressões a nós mesmos. Porque é dentro da gente que guardamos mágoas do outro ou remorso e quem sente é o nosso corpo e a nossa mente. Essa escolha não é fácil, mas é possível. Pode não ser imediata, mas ela chegará com a opção de exercitarmos o olhar de benevolência e caridade ao outro. Seja ele quem for. Assim poderemos ter mais leveza na vida e mais amor no peito. E liberdade e mais liberdade.

Que tal deixar que as mágoas se vão?  


8 de abril de 2018

Extremos e bipolares

Nós somos bipolares. Temos dois extremos nos quais flutuamos durante a vida e com diversos e diferentes momentos, fases e etapas em que nos aproximamos mais de um do que do outro. E vice-versa. Tudo, geralmente, baseado nos nossos limites e no que sentimos. Polos que nos separam da decisão de uma escolha, da insistência de um sentimento, da aceitação da nossa própria personalidade. 

Uma dualidade que, de vez em quando, não nos permite decidir pelo sim ou pelo não. Pelo amor ou ódio. Pelo frio ou calor. Pelo medo ou coragem. Pelo claro ou escuro. Pela tristeza ou alegria. Pela calmaria ou agitação. Tantas extremidades. Tantas margens. Tanto tudo dentro de nós. E muitos pontos de interseção também. E talvez num momento como esse é que podemos nos encontrar em nós. Quando entendemos que ser dual é bom e que isso nos permite possibilidades infinitas. Porque somos o todo de nós.

Acredito que, quando nos entendemos com essas polaridades, podemos nos enxergar plenos e completos. Somos então uma potência quando temos todas as possibilidades. Não precisamos do outro para que possamos ser completos. Já somos completos. Ao compreender isso, talvez seja possível perceber que o outro que tanto queremos ao nosso lado pode ser apenas quem é, sem ter a missão de ser por nós e para nós. 

Muitas vezes jogamos no colo do outro essa responsabilidade de nos transformar ou de transformar a nossa vida. É claro que as coisas mudam com a chegada do outro. Mas acredito que é nossa a responsabilidade de mudar o que queremos e não entregar isso ao outro ou exigir que atenda às nossas mais sutis expectativas. Até porque só nós sabemos lá no fundinho do coração quem somos, nossas melhores qualidades e nossos piores defeitos. E quem quer revelar defeitos assim tão facilmente? Quem dirá ao outro as ideias ruins, o egocentrismo, a inveja, a paranoia, o orgulho? Não. Não falaremos. Sabemos que não faremos isso. Queremos ser o melhor para o desejo do outro.

Mas para isso precisamos ser melhores em nossos próprios desejos. Então o caminho pode ser pensar em nós por nós. Entender que se temos inveja também temos desapego, desprendimento, altruísmo. Se temos orgulho, também temos humildade, benevolência, modéstia. Se temos ego, temos também simplicidade, abnegação, solidariedade. Se temos ideias ruins, também temos muita bondade, amabilidade, delicadeza, gentileza. E o melhor é saber que são nossas as escolhas para que possamos escolher qual o nosso melhor lado, o nosso melhor polo, a nossa melhor extremidade.

Já pensou nisso? 




2 de abril de 2018

Coração de vida própria

O nosso coração tem vida própria. Pode parecer que não, mas pode apostar que sim. Às vezes, acreditamos que demos o direcionamento que ele precisa e, com um certo tempo, ele não obedece e, aos poucos, vai parecendo meio doido. Bate descompassado e podemos ver logo em nossos olhos o reflexo do que ele sente e que já vai ficando super visível naquele brilho diferente que se escancara num sorriso.

Ele vive como quer. Aperta na hora do sufoco. Dá pontadas de tanta ansiedade. Corre como um louco nas novidades. Desacelera com a respiração pausada e gostosa. Quase para com aquele susto bem dado e inesperado.  

E ele não é fácil. Ele insiste bastante, diz o que quer, bate o pé, deixa a cabeça doida. Demora a desistir, quer experimentar uma, duas, três vezes e até quando sabe que pode não dar certo. E encontra essa liberdade de querer mesmo com tantos contras na simples razão de ser e de querer viver. Incansável, indomável, indispensável para viver de bem com a vida.

Ele tenta conquistar aquela que está constantemente no caminho do seu controle. A razão. Aquela que tenta deixar ele no compasso, sabe? Ele sabe quando ela está a pensar, a pensar, a pensar. E analisar tudo nos mínimos detalhes. Ele até a deixa livre para isso. Mas, na hora certa, o coração se manifesta! E deixa a razão louca. E ela nada, de fato, consegue quando ele insiste em discordar.

E, por um lado, que bom isso acontecer! Imagina uma vida toda delineada, toda dentro dos limites pensados, toda na linha exata de uma razão milimetricamente definida, sem surpresas. Pode até parecer mais seguro em alguns momentos para nós. Pode parecer até mais simples. Mas isso também pode nos levar ao tédio e à previsibilidade.  

Para alguns, melhor viver assim, no controle. Mas não vamos controlar tudo na vida e não vamos ganhar todas também. O coração indica um caminho e ele pode errar. Tudo bem. Às vezes, aquilo que parece já estar na palma da nossa mão, escorre pelos dedos e não conseguimos segurar. Noutras, as coisas que já eram inacreditáveis se confirmam e não rolam mesmo. E tudo bem também.

O descontrole faz parte da vida. O imponderável nos ajuda a crescer, a nos desafiar, a renovar, a sentir no peito aquele desejo de se jogar. Em algumas situações, isso pode parecer demais pra nós. Há quem não goste de sentir o coração acelerar. Há quem não goste de experimentar a sensação de que vai saltar de si. Há quem não goste de entender que não teremos sempre o controle. Tudo bem. Vamos respirar fundo. A vida vai nos ensinar o que precisamos e o que teremos pela frente. E aí o nosso coração, com todo amor, vai saber nos abraçar nas horas certas.

E você concorda que o coração tem vida própria? Por onde anda o seu?







29 de março de 2018

Cuide do seu merecimento

Há algum tempo, tive uma sessão de terapia alternativa que mexeu comigo. Acredito que qualquer terapia, em geral, faz isso com a gente. Mas essa teve um toque especial. Teve um abraço meu em mim, sabe? Teve um suspiro de alívio como se eu pudesse dizer a mim mesma: chega de ter que dar conta sempre, chega de se cobrar tanto para ser sempre a balança, a mão estendida, os braços abertos. Tudo bem ser boa, ser legal, acolher o outro. Eu gosto de ser assim, eu aprendi com minhas experiências que ser assim me faz bem, aquece o meu coração, me enche de ternura, me faz feliz. 

Mas a questão é entender onde fica o meu direito de fraquejar, de chorar, de pedir ajuda, de pedir um abraço, de dizer que não posso, de dizer que não quero, de dizer que basta. Protelar as coisas e o meu momento frágil pelo outro é legal mas até onde isso não afeta diretamente o meu desejo e o meu plano do momento. Adiar pelo outro, para fazer algo pelo outro, para olhar para o outro e desviar o olhar de mim todo o tempo não faz bem.

Porque eu tenho o merecimento e o direito à minha vida. Tenho o merecimento e o direito de não ter que pagar a vida que eu tenho e que é o conjunto das minhas conquistas. Tenho o merecimento de estar em dia com o meu prazer, de viver o meu prazer, de sentir livremente o meu prazer. Sem ter que me julgar por desagradar o outro pelo o que ele pensa ou espera. 

Não é a submissão ao outro mas é como uma submissão a mim para não desagradar o outro. E não é uma desfeita direta, é apenas uma desfeita que se descreveria como não contrariar o outro e socorrê-lo antes de mim, entende?

Não gosto de brigar e abro mão, de verdade, das coisas em algumas situações para evitar o desgaste. Mas isso não pode virar a rotina e a negação dos desejos. É preciso ponderar mais e fazer escolhas, que não significam que terminarão em aborrecimento. O confronto se escolhe. E eu escolho sempre a leveza. 

Minha escolha é cuidar com carinho de mim. E do outro. As mágoas e as dores do passado ficam por lá porque não adianta guardar isso. O que farei com isso? E as pessoas não vão atender às minhas expectativas e nem eu vou atender a elas sempre. E tudo bem. 

Preciso aceitar isso. Preciso me aceitar e me dar o direito de viver quem eu sou. Em minha plenitude. Sem dar passos para trás por pensar que um passo adiante pode desagradar o outro. Até porque nem sei se o que eu imagino vai se concretizar. Então dar o passo que desejo e resolver o que for depois é o meu caminho a partir de agora.

Cuidar de mim para cuidar do outro. Cuidar de mim para oferecer mais ao outro. Cuidar de mim para aprender mais com o outro. Cuidar de mim para ser quem eu sou e para ser uma pessoa melhor para mim e para o outro. Cuidar do meu merecimento.

Ufa! É isso. Gosto de cuidar do outro. Faço música pensando nisso. Respondo a cada mensagem de vocês pensando nisso. Nem sei se vocês voltam para ler, mas me sinto bem em enviar uma palavra como um abraço. 

Então cuidem-se bem para que possam cuidar bem do outro.












25 de março de 2018

Saudade

Dizem que a vontade é coisa que dá e passa. Já não diria o mesmo da saudade. Ela pode até ser amenizada, ficar ali naquele nosso cantinho do coração fingindo não apertar tanto e nos dando um pouco de calmaria. Mas saudade que é saudade mesmo não faz isso. É daquelas que não podem ser descartadas e ficam marcadas no nosso peito. Ah essas aí nós sabemos bem do que se trata, não é?

Falei um pouco sobre a saudade nessa minha música aqui. É uma música autoral e ela se chama “Vou lhe Dizer Adeus”. Seria lindo se pudessem ir ao canal para ouvir! A letra está lá!



Saudade é o amor que fincou sua presença em nós. Saudade é a vontade, seja ela qual for, que não se vai. Pode passar o tempo que for, ela chega de mansinho ou de repente. E invade tudo na gente!

Podemos ter tantas formas de sentir saudades. E tantos outros formatos podem nos levar a ela. Um cheiro, uma imagem, uma música, um gosto, um toque, um sonho, uma lembrança, um susto, sei lá. É uma infinidade de possibilidades que se apresentam diante dos nossos sentidos e acionam o que, às vezes, nem conhecemos em nós.

A nossa saudade também pode passear por caminhos diversos, com sensações claras ou um tanto sombrias. Dessas que podem ir de sutilezas, ingenuidade, boas lembranças, força, esperança, resistência, vontade, profundidade. E também pode passar por submissão, tristeza, medo, insegurança, perda, distanciamento. 

São tantos e tantos momentos de saudade que serão norteados pelo o que está cheio o nosso coração e, ao mesmo tempo, por tanta e tanta ausência.


Para ouvir a música "Vou lhe Dizer Adeus"e outras três no Spotify, no Deezer e em outras plataformas!

SPOTIFY goo.gl/c3fRCd

DEEZER http://www.deezer.com/artist/12472692


E você? Do que tem saudade? 



20 de março de 2018

Mude o que quiser

Nem sempre as pessoas vão compreender a nossa mudança de caminho, de estilo, de país, de desejo, de cabelo, seja lá do que for. Nem sempre vão nos apoiar. Alguns dirão que é uma loucura. Outros dirão que não temos a menor consciência ao deixarmos o que temos para trás. Outros mais ainda ficarão sem entender o sentido das nossas ações. E não vão mesmo entender porque são nossas. É o desejo que pulsa dentro do nosso peito. Aquele pedido quase sufocante pela mudança.

A questão é que o outro nos julga por meio do seu olhar. Pelo direcionamento de suas experiências e crenças. Pelas suas próprias referências. Muitas vezes, isso ocorre na tentativa de nos proteger de uma frustração ou tristeza. A intenção pode ser de coração. Mas o coração que pulsa por mudança é o nosso. 

E isso talvez possa fazer com que a dúvida nos incomode. Talvez a gente possa chegar a desistir ou a quase desistir por conta da dúvida do outro. Podemos até nos sentir sozinhos, incompreendidos e à procura de Abrigo, título dessa música de Roberta Campos.



Mas quem disse que o outro sabe o que é o nosso melhor, o que nos alivia, o que nos faz sorrir, o que nos faz crescer? Porque acertar nos faz feliz. Porque errar nos faz crescer. Porque refazer a rota nos ajuda a repensar o caminho. Porque sofrer nos faz mais fortes. E realizar algo a partir de uma mudança é um prazer incomparável. É uma alegria absurda, uma injeção de vida para a nossa vida.

Vamos ser o que quisermos. Vamos tentar o que pudermos. Às vezes, a opção oferecida parece que não nos permitiria entrar numa vaga, por exemplo, ou numa concorrência, ou numa possibilidade qualquer que nos agrada. Vamos ficar parados ou paralisados? Não! Vamos nos inscrever, tentar, pagar pra ver. As coisas podem tomar caminhos distintos e as portas podem se abrir. Se tentarmos. Vamos lembrar que somos a soma de tudo o que vivemos e aprendemos. E vamos levar isso conosco para onde for. Vamos aos novos caminhos!

E é importante lembrar que não vamos perder o que já conquistamos. O que é nosso está guardado dentro do peito, na memória e não vai se perder. Buscar um novo caminho, mesmo contrário a tudo o que temos, é a forma de nos encontrarmos ou nos entendermos um pouco mais, se as coisas não estiverem bem dentro da gente. E tudo bem também se quisermos ir e voltar. 

Vamos! Que possamos mudar o que quisermos. Mudar, transformar, voltar atrás, voar. As escolhas são nossas. As futuras conquistas e as futuras dores também.

E você, o que quer mudar e o que já mudou?

Estar só não é solidão

Nascemos sozinhos, sem nada, sem rabiscos, sem linhas, páginas em branco. Aos poucos, a cada ano, vamos escrevendo a nossa história. Com no...